quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Encontro Escaldante


Chega a casa e encontra tudo escuro e vazio tal como quando saíra nessa manhã. Tem tudo planeado para uma noite deliciosa. Pousa a mala no bengaleiro e dirige-se para a cozinha onde os ingredientes para o jantar a aguardam.

A cozinha está quente e o seu corpo está ao rubro pedindo silenciosamente para ser tocado. Toca nos legumes que irá saltear como se o seu toque fosse a última sensação da sua vida e corta-os, colocando-os delicadamente na frigideira. Retira a massa da embalagem e fá-la escorregar para a panela onde a água já ferve. Desliza pela cozinha com elegância e suavidade. Todas as sensações fluem pelo seu corpo, o toque dos ingredientes, o cheiro da comida em fase de preparação, o som dos legumes a estalar na frigideira e a massa a ferver na panela, o anseio esfomeado de a sentir na sua boca.

O calor é demasiado e, enquanto uma mão usa a colher de pau para mexer a massa, a outra percorre o seu vestido até ao fecho, desapertando-o e deixando-o cair aos seus pés numa roda de tecido emaranhado. Propositadamente, a sua mão avança sobre a sua anca, atravessando a cintura e dirigindo-se, sem pudor, à costura do soutien. O seu toque, mesmo sobre o tecido, é desconcentrador.

Embora distraída pelo toque da sua mão, continua a preparar o jantar com a precisão de um cirurgião.
A mão que tem livre passeia pelo seu corpo tentando sempre fazê-la ceder sem nunca conseguir. Não permite que o prazer que sente afete o jantar que tem de estar perfeito.

[continua...]

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